Eu me sento, eu penso, eu paro, eu canso, eu fumo, eu não aguento.
Mentira, aguento sim.
Às vezes dá medo, aflição. Mas até o medo é gostoso.
O desafio, a vontade de que dê certo e de ver um bom resultado, motivam.
Mas às vezes cansa. Abusa, irrita, estressa, dá vontade de voltar atrás e acabar com tudo. Porém, quando isso acontece, você vê que não tem mais jeito: está totalmente mergulhada naquilo, com todas suas forças. A paixão vai crescendo e admiração aumentando. Uma decepçãozinha aqui, outra aculá, até faz parte. Mas mesmo que você olhe pra traás, desesperadamente tentando desistir de tudo, é inútil.
E, não precisa tanta paciência assim. Cada vez parece mais delicioso e necessário pro seu dia, pra sua vida, pra sua alegria.
E então, de repente, você percebe que nasceu para aquilo.
Tendo como princípio o 'nada é pra sempre', não vai durar muito. E o que fazemos? Aproveitamos. Cada segundo, cada palavra, cada atitude, cada olhar, cada brincadeira.
Porque no final, é só o que vai ficar de verdade.
Não, gente. Eu definitivamente não estou falando do amor.
sábado, 23 de agosto de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Uma criança botou quebrante em mim
Crianças nunca me enganaram.
Com aquela cara de anjinha ingênua, me encarando de cima a baixo no ponto de ônibus, enquanto a mãe puxava-a desesperadamente, tentando fazer com que ela não constrangesse mais. Aposto que ela tava pensando: 'de onde é que essa maluca vem, meu pai? com esse cabelo vermelho assanhado, essas olheiras de 3 dias, essa bolsa que me caberia dentro, esse ar de bacaninha e essa cara de quem quer chegar em casa e tirar um dia de folga... aposto que ela nem tem a minha mais nova sandália da hello kitty nem a barbie verão em nova york. morro de pena dessa hipocrisia adulta, dessa mania de fazer hora extra no trabalho, abrindo mão de finais de semana agitados de pura bebedeira com os amigos. morro de pena de gente grande, sério. qual a graça? está aqui na parada se sentindo quase tão perdida e pequena quanto eu, aposto. tenho certeza que ela daria metade do seu salário pra chegar em casa, calçar pantufas, deitar no sofá, fazer pipoca e ficar assistindo reprise do pica-pau na tv. tenho total certeza, total.'
É, queridos. Não é à toa que minha tosse piorou muito de ontem pra hoje.
Com aquela cara de anjinha ingênua, me encarando de cima a baixo no ponto de ônibus, enquanto a mãe puxava-a desesperadamente, tentando fazer com que ela não constrangesse mais. Aposto que ela tava pensando: 'de onde é que essa maluca vem, meu pai? com esse cabelo vermelho assanhado, essas olheiras de 3 dias, essa bolsa que me caberia dentro, esse ar de bacaninha e essa cara de quem quer chegar em casa e tirar um dia de folga... aposto que ela nem tem a minha mais nova sandália da hello kitty nem a barbie verão em nova york. morro de pena dessa hipocrisia adulta, dessa mania de fazer hora extra no trabalho, abrindo mão de finais de semana agitados de pura bebedeira com os amigos. morro de pena de gente grande, sério. qual a graça? está aqui na parada se sentindo quase tão perdida e pequena quanto eu, aposto. tenho certeza que ela daria metade do seu salário pra chegar em casa, calçar pantufas, deitar no sofá, fazer pipoca e ficar assistindo reprise do pica-pau na tv. tenho total certeza, total.'
É, queridos. Não é à toa que minha tosse piorou muito de ontem pra hoje.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Quem é vivo sempre se lasca
Ora, ora, mas vejam só quem apareceu!
Já esteve sem tempo nem pra coçar o nariz e foi engolido por olheiras enormes que lhe possuiam enquanto você afundava numa caneca de café e sonhava em ter um cigarro e um cinzeiro ao lado? Já sonhou acordado com sua cama quentinha e um monte de horas inteirinhas dispostas a passarem despercebidas enquanto você dormir? Já esqueceu qual foi a última vez que viu seus amigos e esqueceu do tempo numa mesa de bar? Já quis por tudo no mundo que acontecesse uma catástrofe tremenda na cidade e que, de preferência, você estivesse por perto pra registrar tudo em foto, texto e, se possível, vídeo? Já recebeu telefonema da sua mãe dizendo que foi assaltada e pensou na hora 'porra, por que eu não tava lá pra entrevistar o assaltante e botar no ar?'
E, o que é ainda mais agravante: já achou tudo isso divinamente prazeroso?
Dizem que depois da tempestade sempre vem a bonância. Se a recíproca for verdadeiro, deve está perto de aconceter uma tragédia comigo, então.
Tempos bons, bem bons.
Ok, seus miseráveis! Tá liberado pra invejar minha felicidade aí por tempo indeterminado! [Ou, na verdade, só até quando eu sentir ódio do mundo de novo e voltar aqui, haha]
Marimboooondos, assim que eu pôr minha agenda em ordem tô voltando!!
Bjosnaomeliguemacobrar ;*
Já esteve sem tempo nem pra coçar o nariz e foi engolido por olheiras enormes que lhe possuiam enquanto você afundava numa caneca de café e sonhava em ter um cigarro e um cinzeiro ao lado? Já sonhou acordado com sua cama quentinha e um monte de horas inteirinhas dispostas a passarem despercebidas enquanto você dormir? Já esqueceu qual foi a última vez que viu seus amigos e esqueceu do tempo numa mesa de bar? Já quis por tudo no mundo que acontecesse uma catástrofe tremenda na cidade e que, de preferência, você estivesse por perto pra registrar tudo em foto, texto e, se possível, vídeo? Já recebeu telefonema da sua mãe dizendo que foi assaltada e pensou na hora 'porra, por que eu não tava lá pra entrevistar o assaltante e botar no ar?'
E, o que é ainda mais agravante: já achou tudo isso divinamente prazeroso?
Dizem que depois da tempestade sempre vem a bonância. Se a recíproca for verdadeiro, deve está perto de aconceter uma tragédia comigo, então.
Tempos bons, bem bons.
Ok, seus miseráveis! Tá liberado pra invejar minha felicidade aí por tempo indeterminado! [Ou, na verdade, só até quando eu sentir ódio do mundo de novo e voltar aqui, haha]
Marimboooondos, assim que eu pôr minha agenda em ordem tô voltando!!
Bjosnaomeliguemacobrar ;*
sábado, 21 de junho de 2008
Samba do grande amor
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira :D
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira :D
terça-feira, 17 de junho de 2008
Totonho & os cabra
Eu mandei meu amor pro espaço
Agora o que é que eu faço
Com o vácuo da minha solidão?
Eu troquei meu quintal ensolarado
Por minha nave aos pedaços
Uma viagem rumo à escuridão
São difíceis os dias desse tempo,
Precisamos tanto de um invento
Que nos ajude a sonhar;
Agora o que é que eu faço
Com o vácuo da minha solidão?
Eu troquei meu quintal ensolarado
Por minha nave aos pedaços
Uma viagem rumo à escuridão
São difíceis os dias desse tempo,
Precisamos tanto de um invento
Que nos ajude a sonhar;
Egoísmo
Uma noite, um sábado.
Talvez tenha sido ali, entre aqueles dois banquinhos de pedras, alguns cigarros e umas lágrimas. Quando e onde foi, não sei explicar ao certo.
Foi parando.
O sentimento ansioso e inusitado de antes foi desacelerando, cedendo espaço ao tédio e a solidão a dois. Sentia falta de ser apenas um, de novo. Com todos seus problemas e aflições, que ninguém podia viver por ela.
Foi deixando de acontecer.
O que todos previam ser lindo e verdadeiro, foi indo embora assim, sem explicação, sem convencer, sem permanecer o tempo estimado.
E ela só pensava em se sentir bem de novo. Era só isso que importava.
E agora, poder olhar pra si e se ver sozinha, não era de todo modo tão ruim assim. Não queria mais a vida de antes. Não queria mais a vida de agora. O que restava?
Solidão, café, cigarros.
Voltou a ter insônia.
Roeu o resto das unhas.
Contou a um ou dois amigos, sobre como se sentia naquela semana.
De que adiantava?
A caixinha de música não tocava mais.
E essa dor era dela. Não topava dividir.
Talvez tenha sido ali, entre aqueles dois banquinhos de pedras, alguns cigarros e umas lágrimas. Quando e onde foi, não sei explicar ao certo.
Foi parando.
O sentimento ansioso e inusitado de antes foi desacelerando, cedendo espaço ao tédio e a solidão a dois. Sentia falta de ser apenas um, de novo. Com todos seus problemas e aflições, que ninguém podia viver por ela.
Foi deixando de acontecer.
O que todos previam ser lindo e verdadeiro, foi indo embora assim, sem explicação, sem convencer, sem permanecer o tempo estimado.
E ela só pensava em se sentir bem de novo. Era só isso que importava.
E agora, poder olhar pra si e se ver sozinha, não era de todo modo tão ruim assim. Não queria mais a vida de antes. Não queria mais a vida de agora. O que restava?
Solidão, café, cigarros.
Voltou a ter insônia.
Roeu o resto das unhas.
Contou a um ou dois amigos, sobre como se sentia naquela semana.
De que adiantava?
A caixinha de música não tocava mais.
E essa dor era dela. Não topava dividir.
domingo, 8 de junho de 2008
Caio F. Abreu
[...]
'Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.'
[Pequenas Epifanias]
'Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.'
[Pequenas Epifanias]
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